Terapias

Como escolher o tipo de terapia ideal para mim

Escolher iniciar terapia já é um passo importante. No entanto, muitas pessoas se sentem inseguras ao tentar entender qual abordagem psicológica escolher ou como encontrar um profissional com quem se identifiquem.

Na prática clínica, é comum ouvir relatos de pessoas que adiaram o início da terapia por não saberem qual caminho seguir. Compreender as diferentes abordagens e refletir sobre suas próprias necessidades pode tornar essa escolha mais leve e consciente.

Pessoa refletindo sobre como escolher terapia e encontrar o psicólogo ideal

Por que escolher uma terapia parece tão difícil

Quem decide começar terapia costuma chegar com uma pergunta antes mesmo da primeira sessão: qual abordagem é a certa para mim? TCC, ACT, psicanálise, terapia humanista. A lista é longa, e cada texto que você lê parece defender uma escolha diferente.

No meu consultório, percebo que essa dúvida raramente é sobre técnica. Geralmente é sobre algo mais profundo: a sensação de que existe uma resposta perfeita lá fora e que escolher errado significa perder tempo, dinheiro ou, pior, ficar como está.

Se você está nesse ponto, vale uma pausa. A escolha da abordagem importa, sim. Mas talvez não da forma que você imagina.

O caso da Carolina: tentando controlar a ansiedade

Vou contar uma história fictícia, inspirada em situações que aparecem com frequência no consultório. Vamos chamá-la de Carolina.

Carolina chegou cansada. Há meses pesquisava qual seria a melhor terapia para ela. Tinha lido sobre TCC, ACT, técnicas de respiração, mindfulness. Fez questionários online. Marcou e desmarcou sessões com três psicólogos diferentes antes mesmo de começar.

O que ela queria era claro: parar de sentir ansiedade. Eliminar os pensamentos ruins que voltavam sempre na hora de dormir. Encontrar uma técnica que funcionasse de uma vez por todas.

Nas primeiras conversas, fizemos algo diferente do que ela esperava. Não tentamos analisar cada pensamento. Não buscamos uma técnica milagrosa para apagar a ansiedade. Conversamos sobre outra coisa: o que essa luta toda estava custando para ela.

Carolina percebeu que tinha parado de sair com amigos para não correr o risco de ter uma crise. Tinha desistido de um curso que queria fazer. Tinha adiado conversas importantes com o marido. A vida dela estava cada vez menor, e a ansiedade, do mesmo tamanho.

Foi quando perguntei: e se a gente não tentar eliminar a ansiedade primeiro? E se a gente olhar para o que é realmente importante para você e começar a se mover nessa direção, mesmo com ela junto?

Essa é a essência da ACT.

TCC e ACT: duas formas diferentes de olhar o sofrimento

Para entender o que aconteceu com a Carolina, vale comparar duas abordagens muito buscadas no Brasil.

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tradicional parte da ideia de que pensamentos disfuncionais geram emoções desconfortáveis, que por sua vez levam a comportamentos que mantêm o problema. O trabalho costuma envolver identificar esses pensamentos, questioná-los e substituí-los por interpretações mais funcionais. É uma abordagem estruturada, com técnicas claras, e ajuda muita gente.

A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) faz uma pergunta diferente. Em vez de perguntar “como mudar esse pensamento?”, ela pergunta: “qual é o custo de continuar lutando contra ele?”. A ACT parte de algo que parece contraintuitivo: tentar controlar pensamentos e emoções difíceis, muitas vezes, é o que mantém o sofrimento.

Em vez de ensinar técnicas para eliminar o desconforto, a ACT trabalha três coisas:

  • Aceitação: abrir espaço para emoções difíceis em vez de lutar contra elas.
  • Defusão cognitiva: aprender a ver pensamentos como pensamentos, não como verdades absolutas.
  • Ação comprometida com valores: agir em direção ao que importa para você, mesmo quando o desconforto está presente.

Não se trata de dizer qual abordagem é melhor. São lógicas distintas. A TCC tende a focar em mudar o conteúdo da mente. A ACT foca em mudar a relação que você tem com esse conteúdo.

Para a Carolina, que vinha tentando há anos modificar e controlar pensamentos sem sucesso, a ACT fez sentido. Para outra pessoa, o caminho pode ser outro.

Como escolher: o que faz sentido para você

A pergunta que costuma vir na primeira sessão é “qual abordagem é a melhor?”. Eu costumo devolver outra: o que é realmente importante para você hoje?

Na ACT, esse é o ponto de partida. Não olhamos primeiro para o problema. Olhamos para os seus valores. Que tipo de relação você quer ter com as pessoas que ama? Que profissional você quer ser? Que vida você quer construir, mesmo sabendo que ela vai vir acompanhada de medo, dúvida, ansiedade às vezes?

Quando você tem clareza sobre isso, a escolha da terapia muda de natureza. Deixa de ser uma decisão técnica perfeita e passa a ser um movimento em direção ao que importa.

Alguns pontos que valem ser considerados:

  • Você se cansou de tentar controlar pensamentos e emoções, e mesmo assim eles voltam?
  • Você percebe que sua vida está cada vez mais limitada por aquilo que tenta evitar?
  • Você quer um espaço que não seja só sobre o problema, mas sobre a vida que você quer viver?

Se você se reconheceu em alguma dessas perguntas, a ACT pode ser um caminho. Não porque é a “melhor” abordagem. Porque ela conversa com o que você está vivendo.

A relação com o psicólogo importa mais do que a técnica

As pesquisas em psicoterapia são consistentes em um ponto: o vínculo entre paciente e terapeuta é um dos maiores preditores de resultado, em qualquer abordagem.

Isso significa que escolher a técnica certa, com o profissional errado para você, raramente leva longe. E escolher um profissional com quem você se sente à vontade pode fazer diferença enorme, mesmo que a abordagem dele não seja a que parecia ideal no papel.

Por isso, sugiro sempre: marque uma sessão inicial. Sinta como é estar ali. Veja se você consegue falar do que importa sem se sentir julgada. Esse é o melhor teste.

Quando começar terapia

Não existe momento perfeito. Existem momentos possíveis.

Algumas pessoas chegam em crise, depois de meses adiando. Outras chegam funcionando bem, mas com a sensação de que querem viver com mais presença. Os dois caminhos são válidos.

O que costumo dizer é: se você está lendo um texto como esse, prestando atenção, considerando começar, talvez já seja hora. Não porque algo está terrivelmente errado. Porque algo em você está pedindo um espaço para ser olhado com atenção.

Atendo presencialmente em São Paulo e também por terapia online, o que tem facilitado o acompanhamento de quem mora longe, viaja muito ou prefere fazer sessões em um ambiente próprio.

Se você se cansou de procurar a terapia perfeita ou de lutar contra os próprios pensamentos, talvez seja hora de tentar algo diferente.

Na sessão inicial, a gente não tenta te mudar. A gente conversa sobre onde você está, para onde quer ir e o que tem ficado no caminho. Sem pressa, sem fórmula pronta.

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Se quiser conhecer outros temas antes, fica à vontade para explorar o blog.

Perguntas frequentes sobre escolha de terapia

Qual é o melhor tipo de terapia?
Não existe uma abordagem que seja a melhor para todo mundo. O que costuma fazer mais diferença é encontrar uma terapia que converse com o momento que você está vivendo e um profissional com quem você se sinta à vontade para falar do que importa.
Qual a diferença entre TCC e ACT?
A TCC trabalha bastante com a ideia de identificar e modificar pensamentos disfuncionais. A ACT propõe outro caminho: não tentar eliminar pensamentos e emoções difíceis, mas mudar a relação que você tem com eles, e agir em direção aos seus valores mesmo quando o desconforto aparece.
Posso trocar de terapeuta se não me sentir confortável?
Pode, sim. Sentir confiança no vínculo é parte do processo. Se depois de algumas sessões você perceber que não está conseguindo se abrir, vale conversar abertamente com o profissional ou buscar alguém com quem a conexão flua mais.
Terapia online funciona tanto quanto presencial?
Funciona, e as pesquisas mostram resultados equivalentes para a maioria das demandas. Algumas pessoas se sentem mais à vontade no próprio ambiente. Outras preferem o consultório. Vale testar o que faz sentido para você.
Preciso ter um diagnóstico para começar terapia?
Não. Muita gente procura terapia para entender melhor a si mesma, processar uma fase difícil, refletir sobre escolhas ou desenvolver mais flexibilidade emocional. Diagnóstico não é pré-requisito.

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O perfeccionismo muitas vezes é visto como algo positivo. Buscar fazer bem feito, cuidar dos detalhes e se dedicar aos próprios objetivos pode parecer um caminho para o sucesso. No entanto, quando essa busca se torna rígida e constante, ela pode começar a gerar sofrimento emocional.

Na prática clínica, é comum ouvir relatos de pessoas que nunca sentem que fazem o suficiente. Mesmo quando alcançam bons resultados, a sensação de que “poderia ter sido melhor” continua presente. Com o tempo, isso pode gerar ansiedade, cansaço mental e dificuldade em aproveitar conquistas.

A necessidade de controle pode aparecer como uma tentativa de evitar erros, frustrações ou situações inesperadas. Em muitos momentos, querer organizar e prever tudo parece trazer uma sensação de segurança.

No entanto, quando esse padrão se torna constante, pode gerar ansiedade, tensão e dificuldade em lidar com o que foge do planejado. Na prática clínica, é comum ouvir relatos de pessoas que se sentem cansadas por tentar manter tudo sob controle o tempo todo.

Relacionamentos fazem parte de uma das áreas mais importantes da vida emocional. Quando surgem conflitos, inseguranças ou dificuldades de comunicação, muitas pessoas começam a se perguntar se a terapia pode ajudar.

Na prática clínica, é comum ouvir relatos de pessoas que se sentem perdidas dentro da relação. Às vezes o problema não é apenas o conflito em si, mas a dificuldade de compreender o que está acontecendo emocionalmente entre os parceiros. A terapia para relacionamentos pode ajudar a criar mais clareza, diálogo e compreensão.
Na prática clínica, é comum ouvir relatos de pessoas que demoraram muito tempo para buscar ajuda psicológica porque acreditavam que seus problemas não eram “grandes o suficiente”. No entanto, a terapia não é apenas para momentos de crise – ela também pode ser um espaço de autoconhecimento e cuidado emocional.
Na prática clínica, é comum ouvir relatos de adultos que começam a perceber que suas dificuldades de atenção podem estar relacionadas ao TDAH. A avaliação neuropsicológica ajuda a compreender melhor esse funcionamento cognitivo e emocional.